Uma guia vira quatro. No Simples Nacional, IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ISS e a contribuição previdenciária patronal saem juntos no DAS. No Lucro Presumido, a partir de 2027, a clínica passa a pagar IRPJ e CSLL por trimestre, a CBS no lugar do PIS e da Cofins, o ISS ao município e a contribuição previdenciária sobre a folha, cada um com sua guia e seu prazo.
Pela Lei Complementar 227/2026, a saída do Simples por opção vale a partir de 1º de janeiro do ano seguinte ao pedido. Para a clínica sair do Simples Nacional em 2027, a decisão precisa ser comunicada ainda em 2026. Comunicar a saída é a etapa mais rápida. O que define se o primeiro trimestre no Presumido vai sair como na simulação é o que está pronto em janeiro: folha, convênios, notas, contabilidade e documentos da equiparação hospitalar.
Este artigo foi escrito para quem já decidiu sair. Se a decisão ainda está em aberto, o artigo sobre clínica no Simples Nacional mostra os três gatilhos que tornam o regime mais caro: o Fator R, as faixas de faturamento e a receita de procedimentos.
O que muda na rotina da clínica ao sair do Simples Nacional
A tabela resume as mudanças que afetam o caixa já no primeiro mês.
| TEMA | NO SIMPLES NACIONAL | NO LUCRO PRESUMIDO, A PARTIR DE 2027 |
|---|---|---|
| Guias | Uma guia mensal | IRPJ e CSLL por trimestre; CBS, ISS e contribuição sobre a folha por mês |
| Contribuição patronal | Dentro da guia | 20% sobre salários e pró-labore, paga à parte |
| Pagamentos de convênios | Sem retenção de tributos federais | Podem chegar com IR, PIS, Cofins e CSLL retidos |
| IRPJ e CSLL | Dentro da guia, pelo anexo | Sobre 32% da receita, ou 8% e 12% nos serviços equiparados a hospitalares |
| Distribuição de lucros | Sustentada pelo lucro apurado | Limitada à base presumida, ou ao lucro que a contabilidade completa comprovar |
| Fator R | Define o anexo | Deixa de existir |
Cada linha dessa tabela pede uma providência antes de janeiro. As próximas seções mostram quais.
A folha passa a ter custo próprio
No Simples, a contribuição previdenciária patronal está dentro da guia. No Presumido, ela passa a ser paga à parte: 20% sobre salários e pró-labore.
Exemplo ilustrativo: clínica com folha de R$ 30 mil por mês, sendo R$ 10 mil de pró-labore dos sócios. Só a contribuição patronal soma R$ 6 mil por mês, ou R$ 72 mil no ano, um valor que antes estava dentro do DAS.
Isso inverte a lógica do pró-labore. No Simples, muitas clínicas sobem o pró-labore para alcançar o Fator R e ficar no Anexo III, e o artigo Fator R para clínicas mostra quanto isso custa e quando compensa. No Presumido, cada real de pró-labore paga 20% de contribuição patronal, além do INSS e do Imposto de Renda do sócio. O valor do pró-labore de janeiro precisa ser revisto antes da primeira folha do novo regime.
O artigo sobre pró-labore explica o que diferencia pró-labore de salário e de distribuição de lucros, e os critérios para definir o valor: piso do salário mínimo, função exercida, prática de mercado e situação financeira da empresa.
Antes de comunicar a saída, vale ver o primeiro trimestre no Presumido com os números reais da clínica, guia por guia.
QUERO SIMULAR A SAÍDA DO SIMPLESConvênios, notas e ISS a partir da primeira competência
Enquanto está no Simples, a clínica é dispensada das retenções de tributos federais sobre os pagamentos que recebe de empresas. No Presumido, operadoras de plano de saúde e empresas contratantes podem passar a reter na fonte 1,5% de Imposto de Renda e 4,65% de PIS, Cofins e CSLL. Três providências evitam surpresa no caixa:
- Avisar os convênios da mudança de regime antes do primeiro faturamento de janeiro, para que a retenção seja feita corretamente desde o início.
- Ajustar a emissão das notas, que deixam de informar a opção pelo Simples e passam a destacar as retenções quando houver.
- Controlar o que foi retido, porque esse valor é antecipação de imposto e precisa ser descontado das guias. Com R$ 60 mil por mês de convênios, as retenções podem chegar a R$ 3.690 por mês.
O artigo sobre erros tributários em clínicas mostra o que acontece quando ninguém faz esse controle, e outros quatro pontos da rotina que aumentam o imposto, como a nota cheia emitida para tratamentos parcelados.
O ISS também sai da guia única e passa a ser recolhido diretamente ao município, com alíquota entre 2% e 5%, conforme a cidade. Para algumas sociedades formadas por profissionais de saúde, a lei municipal permite pagar um valor fixo por profissional. As condições estão no artigo sobre como reduzir a carga tributária da clínica, que também explica as regras de distribuição de lucros de 2026.
A contabilidade que sustenta a distribuição de lucros
No Presumido, o lucro que os sócios podem receber sem Imposto de Renda depende do que a contabilidade comprova. Sem escrituração contábil completa, o limite é a base presumida, descontados os tributos federais. Com contabilidade completa, a clínica pode distribuir o lucro que efetivamente apurou, que costuma ser maior.
Exemplo ilustrativo: clínica com faturamento de R$ 150 mil por mês, sem equiparação. A base presumida é de R$ 48 mil, 32% da receita. Descontados IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, sobram cerca de R$ 28 mil por mês para distribuir com base na presunção. Se o lucro efetivo da clínica for de R$ 60 mil, os outros R$ 32 mil só saem como lucro isento com a contabilidade completa e em dia.
Desde 2026, há também a regra da Lei 15.270/2025: quando a mesma empresa paga ao mesmo sócio mais de R$ 50 mil em lucros no mês, 10% são retidos na fonte. Para clínicas com dois ou três sócios, isso pede um calendário de distribuição definido junto com o novo regime, e a contabilidade precisa estar organizada para isso desde janeiro.
Equiparação hospitalar pronta no primeiro trimestre
No Presumido, os serviços equiparados a hospitalares podem usar 8% de base para o IRPJ e 12% para a CSLL, no lugar dos 32%. A consulta simples continua nos 32%. Como o cálculo é feito trimestre a trimestre, a clínica que quer usar a equiparação desde o início de 2027 precisa estar com tudo em ordem em janeiro.
No exemplo do artigo sobre imposto da clínica que faz procedimentos, uma clínica de R$ 150 mil por mês com metade da receita em procedimentos paga R$ 171.840 de IRPJ e CSLL no ano sem equiparação, e R$ 101.640 com ela. São R$ 70.200 de diferença.
O benefício exige um conjunto coerente:
- sociedade empresária, de fato e de direito;
- alvará ou licença sanitária que cubra a atividade realmente exercida;
- estrutura compatível com os procedimentos, própria ou de terceiros por contrato;
- receitas de consultas e de procedimentos registradas separadamente;
- notas fiscais que descrevem o procedimento, sem termos genéricos.
Se a clínica hoje é uma sociedade simples, a alteração do contrato social entra no cronograma da transição. E vale atenção: o ISS fixo por profissional costuma ser ligado às sociedades de profissionais, enquanto a equiparação pede sociedade empresária. A escolha entre os dois precisa ser feita com a conta de cada um.
No diagnóstico que a Ellun faz antes da equiparação, entram o CNAE, a localização, os serviços realmente executados, os profissionais e equipamentos e a documentação básica. O artigo sobre o que analisar antes da equiparação hospitalar detalha cada documento e o que mudou com a IN RFB 2.343/2026.
Se a clínica faz procedimentos, o primeiro trimestre de 2027 já pode sair com a equiparação. Confira se os documentos estão prontos.
QUERO CONFERIR A EQUIPARAÇÃOComo a Ellun prepara a clínica para sair do Simples Nacional?
A Ellun tem 9 anos de mercado e mais de 2.700 empresas atendidas. No planejamento tributário de clínicas, a transição de regime segue quatro etapas:
- Números iniciais. Pelo WhatsApp, a clínica envia o regime atual, o faturamento médio e os principais serviços.
- Diagnóstico. Um especialista analisa as informações e agenda uma videochamada.
- Simulação e plano. Com os documentos enviados pela plataforma, o time simula todos os tributos em cada cenário, incluindo IRPJ, CSLL, CBS, ISS e contribuição previdenciária, e entrega o regime recomendado, os ajustes que precisam vir antes e as datas de cada passo.
- Implantação e revisão. O time acompanha a implantação, e o especialista revisa o plano quando a regra muda.
Para a clínica que vai sair do Simples Nacional em 2027, as datas ficam assim:
| QUANDO | O QUE PRECISA ESTAR FEITO |
|---|---|
| Até dezembro de 2026 | Simulação final com os números de 2026 e comunicação da saída do Simples |
| Dezembro de 2026 | Pró-labore de janeiro revisto, convênios avisados, notas ajustadas, contabilidade completa organizada e documentos da equiparação conferidos |
| Janeiro a março de 2027 | Primeiras guias mensais acompanhadas, retenções controladas e receitas separadas entre consultas e procedimentos |
| Abril de 2027 | Pagamento da primeira quota do IRPJ do primeiro trimestre, que confirma a opção pelo Presumido para o ano inteiro |
A Reforma Tributária entra nesse mesmo cronograma. A partir de 2027, a CBS substitui o PIS e a Cofins, e os serviços de saúde listados na LC 214/2025 têm redução de 60% na alíquota. A redução é aplicada serviço por serviço, então a revisão dos códigos de serviço nas notas faz parte da preparação de dezembro.
A clínica que deixa a comunicação para o último dia útil do ano ainda consegue sair. A que prepara a transição em dezembro chega a janeiro com o primeiro trimestre igual ao que foi simulado.
Faltam poucas semanas para a decisão de 2027. Um especialista da Ellun monta com você o plano da troca de regime, etapa por etapa.
QUERO PLANEJAR A TROCA DE REGIME


